Cais do Ouro

Atual Praça Marechal Deodoro

 

Existia o Cais do Dourado, como indicado no Prospecto de Caldas, de 1756 (Dourado seria provavelmente o nome do proprietário de algum cais no local). O Prospecto de Vilhena (1801) e a Planta de Hugh Wilson (1871) registram Cais Dourado (sem "do"), limitado pelo antigo Forte de São Francisco. Nessa época, a área da Praça ainda não existia, em seu lugar estavam as águas da Baía. O movimento comercial nesse Cais, da Freguesia do Pilar, era intenso e buscava-se mais espaço com aterros. Comparando-se uma ilustração de 1801 com outra de 1810, nota-se que, nesse período, foi construído o Trapiche do Barnabé sobre um aterro ao lado do Cais Dourado.

Nos anos 1840, o jornal Correio Mercantil era editado na Rua Caes Dourado, 38 (antes estava na Rua da Alfândega).

Em 12 de maio de 1869 foi inaugurada uma linha férrea entre o Cais Dourado e o Bonfim, da Companhia Vehiculos Economicos, com 6,16 km de extensão, depois estendida do Bonfim até Itapagipe e do Cais Dourado até o Elevador. Em 1874, a locomotiva a vapor foi substituída por tração animal.

O Cais Dourado ainda existia em 1873 (veja foto). Foi aterrado, por volta de 1875, e surgiu o Cais do Ouro, na orla do aterro. Sobre esse aterro, foi construído o Mercado do Ouro, inaugurado em 1879. Entretanto, alguns documentos oficiais continuaram a registrar o nome Caes Dourado até pelo menos 1883, mas o nome Caes do Ouro já aparecia em 1880. O nome Cais do Ouro é registrado na Planta de Morales de los Rios (1894) e em postais dos primeiros anos do século 20. Com o aterro, surgiu também a Praça do Caes do Ouro (nome que já aparecia em 1884 ou antes), atual Marechal Deodoro. No final do século 19, essa praça abrigava uma das feiras mais populares da Cidade.

No início do século 20, a área foi urbanizada e ganhou o nome do primeiro presidente da República. Mas continuou a ser chamada popularmente como Cais do Ouro até a nova ampliação do Porto, quando as águas da Baía ficaram a dois quarteirões de distância. O aterro do Cais do Ouro foi em um etapa posterior ao aterro do Porto, inaugurado em 1913 (veja uma foto).

Por volta de 1940, foi construída a Avenida Jequitaia, cortando parte da Praça e parte da frente do Mercado do Ouro foi demolida.

No final dos anos 1960, a Praça não tinha mais muito movimento e muitos caminhões estacionavam no local. Estava completamente coberta por frondosas árvores (veja uma foto).

Em 2000, a Praça ganhou o Monumento das Nações, uma escultura de mãos entrelaçadas, com referência ao elo cultural entre a América do Sul e Central e a Península Ibérica. É uma homenagem da Associação Iberoamericana de Câmaras de Comércio (AICO). O trabalho é do artista plástico Kennedy Salles, feito em granito e fibra de vidro, com 3,9 m de altura.

A Praça funciona atualmente como terminal de ônibus e é ocupada por vários moradores de rua.

Mais: imagens antigas do Cais do Ouro

 

Monumento das Nações.

Cais Ouro

 

O movimentado Cais do Ouro por volta de 1912, após a primeira grande urbanização da Praça. À esquerda está o Mercado do Ouro. Esta imagem está disponível em alta resolução para download (5 MB).

 

O Cais do Dourado indicado no Prospecto de Caldas, de 1756.

 

A Praça Marechal Deodoro, em 2015, ocupada por moradores de rua.

 

A Praça Marechal Deodoro, em carta-imagem do Google maps.

 

Mercado do Ouro

 

Praça Marechal Deodoro

 

Salvador Antiga

 

Caldas Salvador

 

 

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Salvador Antiga

 

 

Cais do Ouro